sexta-feira, dezembro 30, 2005

por que acabaram com os trens? agora onde caberá minha alma?

- num copo d'água, no vazio entre a janela e a rua,
no pássaro vigiado pelo gato, no pássaro
que fugiu, nas penas que restaram.

relatividades: mas mas
se abres em demasia a torneira
a água há de secar, em um,
três, cem mil anos.

sentei-me na calçada a observar a revolução das folhas secas.
de meus bolsos subiam suspiros melados.
o relógio apontava o novo ano com um sorriso sarcástico nos lábios.
o tempo indo pra trás, grande anão branco.

na última badalada,
gargalhada caquética,
alcei vôo entre os estranhos
e toquei a ferida do céu.
ele agracedeu me cobrindo de nuvens.
sua única lágrima é minha retina.